segunda-feira, 12 de maio de 2014

Relato do Encontro em 12/05



Nesta segunda-feira (12/05) realizamos mais um encontro, dando continuidade aos estudos e debates sobre o capítulo 01 de "Psicologia Pedagógica" de autoria de L.S. Vigotski.
Mais uma vez, no início do debate,  voltamos a discutir sobre o contexto em que foi escrito o livro, ou seja, de uma Rússia revolucionária. Vigotski escreve o livro em um contexto de efervescência social total. Sua terra natal, que outrora era classista, hierarquizada e anti-semita,  governada pelos Czares e por uma burguesia conservadora e tradicional, de repente se vê totalmente transformada e gestada pela própria classe trabalhadora. Os proletários promovem a maior de todas as revoluções sociais da história moderna e propõe a construção de uma nova sociedade sem classes. A proposta dos trabalhadores revolucionários era a construção de uma nova sociedade igualitária, horizontal e autônoma, com sujeitos livres e emancipados. Entretanto, fazia-se necessário também (e em paralelo) a construção de uma educação revolucionária, ou seja, uma nova educação como instrumento para auxiliar e promover a própria revolução em andamento. Vigotski, altamente engajado nesta luta revolucionária, propõe um curso em Gomel (sua cidade natal) para a formação de professores dentro de uma proposta de educação socialista. Daí surgem os escritos e a elaboração  das aulas em forma de cadernos e apostilas, que ao final deram origem a este livro no qual estudamos hoje. As bases desta nova ciência pedagógica passam a ser o materialismo histórico e dialético de Karl Marx. O marxismo passa a ser o referencial para todos os estudos de Vigotski, onde a própria proposta de construção de uma nova psicologia seria a psicologia alicerçada na teoria marxista. 

"A psicologia anterior, que considerava a psique de forma isolada do comportamento, não podia encontrar o terreno verdadeiro para uma ciência aplicada. Ao contrário, ao se dedicar a ficções e abstrações, ela sempre se divorciava da vida real e, por isso, era impotente para se tornar a fonte que daria origem a uma psicologia pedagógica. Toda ciência surge das demandas práticas e, em última instância, também se orienta para a prática. Marx dizia que os filósofos só tinham interpretado o mundo, e que já estava na hora de transformá-lo. Essa hora chega para todas as ciências." (VIGOTSKI, p. 43, 2003)


Foi discutido também as questões ideológicas envolvidas nas proibições das obras de Vigotski durante o regime stalinista e ainda os erros e mutilações envolvidos nas traduções de seus livros para o ocidente. Durante o período do regime stalinista, as obras de Vigotski foram todas confiscadas e muitas destruídas em virtude do decreto estatal de 4 de julho de 1936, que proibia a pedologia e também a atuação dos pedólogos na antiga União Soviética. Logo, por questões políticas e ideológicas as obras de  Vigotski praticamente desaparecem da antiga União Soviética, voltando apenas durante a década de 1950 naquele país. No entanto, as traduções de suas obras chegam ao ocidente cerca de trinta anos depois desta data, onde vale ressaltar, o mundo encontrava-se dividido pela Guerra Fria (polarização do mundo entre capitalismo (EUA) e comunismo (URSS)). Tal polarização do mundo faz com que as traduções para o inglês (EUA) (das quais se originam as traduções para o português) sejam todas distorcidas e mutiladas de forma escandalosa e  propositadamente. Mais uma vez, os escritos de Vigotski se tornam  alvo de proibições e de perseguições, entretanto,  agora de forma mais sutil e grosseira, ou seja, na forma de distorções e de mutilações de seus textos originais. No Brasil a editora Martins Fontes publica em 2001 a tradução do livro Psicologia Pedagógica feita por Paulo Bezerra, e que vem acrescido erroneamente  por dois capítulos a mais, ou seja, absurdamente contendo 21 capítulos, sendo que a obra original continha apenas 19 capítulos ao todo. Já a publicação da editora Artmed (utilizada em nosso grupo de estudos) foi traduzida em português por Claudia Schilling a partir da tradução realizada pelo argentino Guilhermo Blanck em espanhol da primeira edição original russa.
Discutimos também sobre a grave crise  em que a ciência se encontrava no início do século XX. As exigências e imposições dos métodos das ciências naturais eram as referências que deveriam legitimar as ciências humanas, inclusive a própria psicologia. As divergências e dicotomias entre psicologia empírica (baseada nos métodos das ciências naturais) e psicologia racional (cujos métodos eram baseados na especulação), ou ainda com outras denominações como ciência da alma ou ciência sem alma, continuavam e amplificavam a crise já instalada. Qual era afinal o verdadeiro o objeto de estudo da psicologia? Como desvencilhar da influência metafísica ou da religião? Seria possível estudar e conhecer a consciência humana de forma objetiva? Vigotski propõe as bases da nova psicologia pautadas no materialismo histórico dialético, tomando como ponto de partida os "velhos" conceitos da psicologia comportamentalista da época, dando-lhe novos sentidos e significados dentro de uma nova psicologia marxista, que não desconsideraria os aspectos biológicos, nem tão pouco negligenciaria os condicionantes sociais, econômicos e culturais.

"O primeiro passo distintivo da nova psicologia é seu materialismo, porque examina toda a conduta do ser humano como uma série de movimentos e reações que possui todas as propriedades de um ser material. Sua segunda característica é a objetividade, pois coloca como condição indispensável para suas pesquisas a exigência de que estas se baseiem na verificação objetiva do material. A terceira característica é o seu método dialético, que reconhece que os métodos psíquicos se desenvolvem em uma vinculação indestrutível com todos os demais processos no organismo e que estão subordinados exatamente às mesmas leis de desenvolvimento que regem tudo o que existe na natureza. E, finalmente a última característica é a base biossocial, cujo significado já foi definido" (VIGOTSKI, p.40, 2003)


PRÓXIMO ENCONTRO: 26/05 às 18h30 sala 12 UEG - ESEFFEGO

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Relato do Encontro em 28/04


Neste terceiro encontro foi analisado e debatido o Prólogo à Edição Russa e  também iniciado a discussão do capítulo 01 de "Psicologia Pedagógica" de L.S. Vigotski. 
No Prólogo Vigotski destaca a importância da teoria dos reflexos condicionados servir como ponto de partida ou como base para construção de uma nova psicologia, e não descartando-a totalmente, nem tão pouco denominando-a de a nova psicologia como muitos de sua época o faziam. O autor destaca ainda a possibilidade de criação de um  processo educativo através de uma interface entre o biológico e o social .


"Por isso, a teoria dos reflexos condicionados não pode constituir a única base e o exclusivo fundamento para o presente curso. Ao analisar e descrever as formas mais complexas da conduta, é preciso utilizar plenamente todo o material científico fidedigno da  psicologia anterior, traduzindo os velhos conceitos para a nova linguagem" (VIGOTSKI, p.34, 2003)

Esta talvez seja uma das maiores qualidades de Vigotski, a de resignificar e dar novos sentidos às teorias anteriores, não anulando a "velha teoria", mas, a partir delas, consegue promover o desenvolvimento e a criação de novos conceitos e idéias. Ao citar Munsterberg, ele fala a respeito da questão motora e também dos fenômenos reflexos, dando destaque ao processo do movimento que precede o pensamento, denotando a importância do ato motor: "pensamos porque agimos" (MUNSTERBERG apud VIGOTSKI, 2003). No entanto ele destaca que mesmo apesar do destaque dado ao aspecto motor pela psicologia da época, ela ainda continuava presa ao dualismo e ao espiritualismo da psicologia empírica. Vigotski aproveita ainda para tecer duros comentários à psicologia norte americana bastante em voga na época (comportamentalismo):

"Esses psicólogos entendem por comportamento todo o conjunto de movimentos, internos e externos, de um ser vivo. A psicologia apóia-se no fato, estabelecido há bastante tempo, de que todo o estado da consciência vincula-se inevitavelmente a alguns movimentos. Em outros termos, todos os fenômenos pisíquicos que ocorrem no organismo podem ser estudados a partir do aspecto do movimento" (VIGOTSKI, p. 39, 2003)

Já no início do primeiro capítulo o autor relata sobre a grave crise em que passa a ciência (psicologia) durante as primeiras décadas do século XX. Vigotski propõe uma abordagem dialética sobre a atual crise, resgatando o "velho material" e procurando compreender os fatos e leis anteriores sob a ótica de novos significados e critérios, ou seja, dar novos significados aos conceitos e leituras da velha psicologia, na tentativa de criar a "nova ciência", que segundo o próprio autor, naquele momento afundava em uma grave crise de seus próprios fundamentos, mas que também encontrava-se em seu período de estruturação inicial. 
Vigotski inicia  o capítulo primeiro  trazendo o conceito de educação segundo Blonski, onde "a educação é a influência premeditada, organizada e prolongada no desenvolvimento de um organismo" (BLONSKI apud VIGOTSKI, 2003). O autor relata ainda a importância de se estabelecer com precisão e clareza em todo o processo pedagógico,   a organização, as formas e os procedimentos para a sua orientação efetiva, assim como também, destaca a preocupação na compreensão dos processos biossociais de desenvolvimento do organismo a ser influenciado. Vigotski enfatiza no texto a compreensão do homem dentro de uma perspectiva "biossocial". Segundo Vigotski a grave crise na ciência [psicológica] de sua época refere-se à forte herança do pensamento primitivo e religioso, ou seja, da perpetuação do  dualismo corpo-mente, do espiritualismo metafísico, que considerava a psique humana isolada e divorciada da vida real, com suas abstrações e ficções, e no outro extremo a também forte influência positivista da psicologia norte-americana, em referência à teoria comportamentalista, que considerava o comportamento apenas como interações mecânicas e lineares com o meio.
Vigotski refuta o reducionismo e o biologicismo da psicologia de sua época ao querer explicar o comportamento humano com base apenas em seu aspecto comportamental-biológico, generalizando o teoria dos reflexos-condicionados para explicar todas as funções psicológicas superiores, o que ele denomina de "Abra-te Sésamo!". Vigotski relata ainda a "caricatura" que faz a ciência comportamentalista ao relacionar de forma linear os aspectos motores ao desenvolvimento das funções psicológicas.

"Portanto, a psicologia está se transformando em uma ciência biológica, pois estuda o comportamento como uma das formas mais importantes de adaptação do organismo vivo ao ambiente. Por isso, considera que o comportamento é o processo de interação entre o organismo e o ambiente, e o princípio de utilidade biológica do psiquismo passa a ser seu princípio explicativo." (VIGOTSKI, p.39, 2003)

Porém, Vigotski defende a tese onde somente é possível compreender o comportamento humano  em sua totalidade quando se considera o desenvolvimento dentro do complexo contexto de seu ambiente social, ou seja, o homem num contexto biossocial.
A nova psicologia, segundo Vigotski, deve possuir características importantes, tais como: o materialismo -  a conduta humana deve ser observada a partir dos movimentos e reações de um ser material (o homem como ser material inconcluso); a objetividade - verificação sistemática e objetiva da realidade; a dialética - os processos psíquicos se relacionam com todos os demais processos no organismo (meio, cultura, biológico, etc.) e se inter-relacionam de forma dinâmica e indestrutível; e por fim a base biossocial - onde o comportamento do ser humano deve ser observado dentro do complexo contexto do seu ambiente social. 

PRÓXIMO ENCONTRO: 12/05 - segunda-feira - sala 12 - UEG ESEFFEGO
(CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO 01)

domingo, 20 de abril de 2014

Próximo Encontro 28/04 segunda-feira UEG UnU Eseffego


RELATO DA REUNIÃO EM 14/04:
A reunião do Grupo de Estudos L.S.Vigotski - UEG UnU-ESEFFEGO foi realizada neste último dia 14/04 (segunda-feira)  as 18h30 na sala 12 da UnU Eseffego em Goiânia. Com a participação de professores, alunos e egressos da UEG ESEFFEGO a discussão foi bastante produtiva e o debate contou com a participação de todos os presentes. Foi analisado o Prefácio do Livro PEDAGOGIA PEDAGÓGICA  de Vigotski, escrita pela argentino Guilhermo Blanck. Considerado um dos maiores estudiosos da obra de Vigotski, Blanck forneceu uma valiosíssima contribuição aos estudos sobre Vigotski ao auxiliar na organização da tradução da obra dos originais russo para a língua espanhola e também ao escrever o Prefácio para a edição espanhola. Suas análises são importantes e valiosas na compreensão deste livro. A obra em português editado pela ArtMed é a tradução para o português a partir dos escritos em espanhol organizados por Blanck. O prefácio da obra, escrita por Guilhermo Blanck é rica em detalhes da vida e do cotidiano de Vigotski. Blanck, com uma sagacidade sem igual, descortina acontecimentos importantes na vida de Vigotski, e que são fundamentais para compreensão de sua primeira obra. A Rússia revolucionária, a família de Vigotski, a tuberculose, os manuscritos, a vida docente em Gomel, as pesquisas em Moscou, as relações contraditórias com Luria e Leontiev, dentre outros, são itens fundamentais para compreensão do contexto em que viveu Vigotski.
No próximo encontro (28/04-segunda-feira-18h30-sala12- ESEFFEGO) terminaremos o prefácio do livro (escrito por Blanck) e Iniciaremos o CAPÍTULO 01 do livro Psicologia Pedagógica de L.S. Vigotski.



PRÓXIMO ENCONTRO: 28/04 - SEGUNDA-FEIRA - 18h30
SALA12 - UEG - UnU ESEFFEGO 
Prefácio+ Capítulo 01
DE PSICOLOGIA PEDAGÓGICA
DE L.S. VIGOTSKI

domingo, 13 de abril de 2014

Próximo Encontro: 14/04 - segunda-feira


Nesta próxima segunda feira (14/04), às 18h30 na sala 12 da UEG UnU ESEFFEGO voltaremos a nos encontrar para realização do estudo  da obra "Psicologia  Pedagógica" de autoria de Vigotski. Amanhã debateremos o prefácio da obra citada, escrita pelo argentino Guilhermo Blanck.
Campareçam e convidem os amigos e colegas.
Abaixo o link para baixar o prefácio:

Click aqui e acesse o Prefácio escrito por Guilhermo Blanck


Abaixo a agenda de todos os encontros quinzenais 2014/01:

ABRIL:

07/04 - abertura
14/04
28/04

MAIO

12/05
26/05

JUNHO

09/06
23/06

JULHO

07/07
21/07 - encerramento

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Realização da Reunião em 07/04/2014


Na data de 07/04/2014 foi realizado o primeiro encontro do ano do Grupo L.S. Vigotski UEG ESEFFEGO, cujo objetivo é estudar a primeira obra escrita por Vigotski durante o início do século XX (1921-1924) denominada Psicologia Pedagógica.  Nesta primeira reunião foi discutido a apresentação do livro Psicologia Pedagógica escrita por René van der Veer e também estudamos  o prólogo à edição Russa de 1926 escrita pelo próprio Vigotski.
Neste primeiro encontro, antes da leitura dos textos, foi destacado o contexto histórico da Rússia revolucionária do início do século XX, onde tudo urgia ser transformado, inclusive a própria educação russa, que possuía forte herança do conservadorismo czarista e da religião. A efervescência da Rússia revolucionária e pós-revolucionária contagia os escritos de Vigotski, que utilizando o materialismo histórico dialético, aponta alternativas para a crise instalada na psicologia pautada no mecanicismo, na linearidade e na fragmentação das teorias pautadas exclusivamente nos chamados reflexos condicionados.
Vigotski, no prólogo de sua obra, relata que a obra em questão foi escrita para auxiliar a formação de professores nas escolas e também contribuir para a construção das idéias sobre o processo pedagógico. Relata sobre a crise da psicologia, pautada exclusivamente no mecanicismo linear dos reflexos condicionados, que não são capazes de explicar os processos psicológicos mais complexos, mas aponta que tais concepções biológicas constituem  o ponto de partida para os novos estudos.
Segundo Vigotski, a sua principal intenção com este livro é a criação de uma psicologia pedagógica "biossocial" capaz de transpor as fronteiras do apenas biológico e de vislumbrar o homem em sua completude.

PRÓXIMO ENCONTRO: 14/04 (segunda-feira) às 18h30, na sala 12 na UEG UnU Eseffego (Leitura do Prefácio de "Psicologia Pedagógica" escrito por Guilhermo Blanck - baixe ao lado o arquivo)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

PRIMEIRO ENCONTRO DE 2014: 07/04/2014 - SEGUNDA-FEIRA - UEG ESEFFEGO

O PRIMEIRO ENCONTRO DO GRUPO DE ESTUDOS "L.S. VIGOTSKI" OCORRERÁ NESTA PRÓXIMA SEGUNDA FEIRA (07/04/2014)  ÀS 18h30 NA SALA 12 DA UEG UnU ESEFFEGO.
ESTE GRUPO É ABERTO A TODA COMUNIDADE EM GERAL INTERESSADA EM ESTUDAR E DEBATER SOBRE AS OBRAS ESCRITAS POR L.S. VIGOTSKI.
NESTE PRIMEIRO ENCONTRO IREMOS CONSTRUIR O CALENDÁRIO E A AGENDA DO GRUPO E AINDA REALIZAREMOS UMA BREVE APRESENTAÇÃO DA PRIMEIRA OBRA A SER ESTUDADA: "PSICOLOGIA PEDAGÓGICA" DE VIGOTSKI.
TODOS ESTÃO CONVIDADOS E SERÃO BEM VINDOS PARA PARTICIPAREM DO GRUPO DE ESTUDOS L.S. VIGOTSKI UEG ESEFFEGO.